Domingo, o Brasil assistiu estarrecido ao time mais badalado pelas bandas de cá com Neymar, Ganso e cia. cair de quatro para o Barcelona de Messi e Guardiola, sem conseguir jogar dois minutos de futebol. Insisto, o mais estarrecedor não foi a goleada em si, mas o time mais badalado do Brasil, ter sido atropelado pelo adversário desde o minuto inicial até o apito final. Foi como se os Estados Unidos tivessem guerreando contra Tuvalu!
Como pôde um futebol que já foi tido como o mais encantador do planeta, conquistador de tudo que podia, não conseguir jogar futebol contra o adversário? O que aconteceu com o futebol brasileiro? Lembremos que o Internacional ano passado não foi nem a final do Mundial caindo para o fraco Mazembe. Lance isolado. Mas, não pode!
Parte desse massacre que aconteceu domingo, pode ser explicado porque há muito o futebol brasileiro deixou de privilegiar o passe e o drible e a dar valor ao combate e a correria. E isso começou em julho de 1982. No dia 5 daquele mês, a Seleção Brasileira que jogava um futebol alegre, técnico e ofensivo, sucumbiu a Itália de Rossi, Zoff e Enzo Bearzot. E a histeria nacional contra o futebol arte determinou um novo jeito do futebol brasileiro jogar.
Aquela seleção jogava bonito. Todos os jogadores, exceto Serginho, eram extremamente técnicos. A zaga composta por Leandro, Oscar, Luizinho e Junior não tinha um brucutu. Qualquer um deles poderia ser meia armador hoje em dia, tal habilidade. O meio campo era um primor de qualidade técnica, habilidade e criatividade: Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico. Habiidade pura, inclusive dos volantes. Quem se lembra do balão de Falcão em Maradona?
E no ataque jogávamos com ponta. Eder era o titular pela esquerda, mas eventualmente entrava o Zé Sérgio pela direita. E aquela seleção jogava muita bola. Com toques rápidos, dribles geniais e uma vocação ofensiva, ganhava jogos dando espetáculo. Parecido com o que o Barcelona de Messi faz!
Mas, naquele 5 de julho a seleção sucumbiu. Pegou um esquadrão fortíssimo, mais marcador e menos técnico e um Paolo Rossi inspirado. E fomos eliminados da Copa do Mundo. E a partir de então, o futebol arte foi ultrajado, vilipendiado, insultado e combatido
Já na Copa de 86, os volantes já não eram tão técnicos: Alemão e Elzo. A zaga era mais porradeira: Edinho e Julio Cesar. Na Copa de 90, Lazaroni radicalizou de vez. Implantou o 3-5-2, usado na Europa, com muita marcação e levou a Copa América. Dunga, um volante de muito combate e destruição foi ícone daque seleção e a da que seguira.Mas, fez um fiasco na Copa e jogando um futebol feio demais. A década de 90 foi voltado para fazer o futebol brasileira combater mais do que criar. E ganhamos uma Copa de 94, com um pragmatismo feroz. Primeiro combater e depois atacar.
Só Telê Santana continuava com o seu ideal ofensivo e fez do São Paulo bi campeão da LIbertadores e Mundial jogando pro ataque. Mas já não era aquele futebol arte. Nossos volantes passaram a não saber sair com a bola e todas aqueles que combatiam muito eram idolatrados.
E neste novo século a coisa degringolou de vez. O passe não é mais tão valorizado. Vivemos de chutões e combater no meio campo. Muricy foi 4 vezes campeão brasileiro jogando com dois volantes combatendo muito para proteger bem a zaga, compactação dos seus times, uma marcação forte, e saída rápidas de contra ataque, pelo menos este era meu Fluminense de 2010. Vitorioso, porém feio!
O campeonato brasileiro é cantando em verso e prosa pela péssima imprensa esportiva nacional como o mais competitivo do mundo. E o é, mas pela péssimo futebol jogado. Todo mundo se nivela... Por baixo!
Enquanto isso surge um Barcelona valorizando a posse de bola, os toques rápidos, o deslocamento e a busca paciente pelo melhor posicionamento para marcar o gol. E seu técnico humildemente vaticina: "Fazemos o que o Brasil fazia antigamente". Um tapa na cara dos técnicos brasileiros que se acham de outro mundo. De boa parte da imprensa que baba ovo desses mesmos técnicos. E do jogador brasileiro que se preocupa maisi com a aparência e com os carrões do que com o futebol jogado.
Que este massacre ocorrido, domingo e que impôs uma humilhação ao futebol brasileiro, sirva de licão! Quero o futebol brasileiro das seleções de 70 e 82 de volta! Que assim seja!